Arquimedes Borges

Arquimedes Borges: o que se pode esperar de alguém que a duras penas conquistou muito na vida? No caso de alguns, vão curtir a vida e aproveitar os resultados. Mas há os que se renovam, buscam novos propósitos e passam a trabalhar até mais porque, a partir de então, é em nome, exclusivamente, de uma causa. Assim é Arquimedes Borges, um homem da terra, que gosta de bichos e de gente, mas que, principalmente, ama suas raízes e se orgulha da origem humilde e do caminho que percorreu até chegar aqui. O melhor: sem deixar de sonhar.

Arquimedes Borges nasceu na zona rural de Paracatu, MG. Como muitas crianças pobres, enfrentou dificuldades financeiras. O pai, João Borges de Oliveira (Borginho), puxava enxada na roça e a mãe, Coraci Meireles, ajudava como podia no sustento da família, lavando e passando roupas, cozinhando para pessoas que trabalhavam com o marido na lavoura.

A primeira escola em que estudou era um rancho de pau a pique, distante de casa, onde conseguia chegar diariamente no lombo do seu cavalinho Pirulito. Para que ele tivesse acesso à educação formal, seus pais levaram uma professora da cidade e a hospedaram em sua casa, beneficiando também as demais crianças do lugar. Trabalho, honestidade e honradez foram alguns valores que Arquimedes Borges aprendeu com eles.

Considera que teve uma infância feliz, brincando de carrinho, de laranja, de limão, nadando no córrego que passava no fundo de casa, junto com as outras crianças. Para ir a Paracatu, o meio de transporte da família eram os cavalos, percorrendo uma distância de 40 km.

Como a escola rural oferecia até o quarto ano, para continuar a estudar, a partir da segunda etapa do ensino fundamental, o jeito foi ir morar com os avós na zona urbana, já que seus pais não podiam sair da fazenda. Nas férias, de volta ao campo, conheceu o primeiro trabalho: comprar milho dos vizinhos e debulhar. Acordava às cinco da manhã, mesmo nos dias frios de julho.

Aprendeu com os pais e, desde cedo, sempre gostou de ter o seu próprio dinheiro e administrar com cuidado. Assim, foi-se forjando a sua personalidade.

A vida o levou, quatro anos depois, para Belo Horizonte, onde cursou o ensino médio. Essa preparação seria importante para garantir uma vaga mais tarde na faculdade de Economia da Uniceub. Foi outro sacrifício para os pais, mas de novo deu certo.

Já na universidade, em Brasília, montou seu primeiro negócio: uma agência de carros. Passo importante para aprender coisas importantes para o porvir.

Graduado em Economia e de volta à sua terra, ainda bem jovem, já levou consigo o firme propósito de trabalhar para que outros moradores da região tivessem mais acesso a oportunidades. Decidiu, então, participar da eleição para a presidência da Cooperativa e tornou-se com muito apoio, o presidente mais jovem da história da Coopervap. Começava então a devolver à região o que dela recebeu até ali.

Usou o conhecimento e a experiência para transformar aquela entidade endividada, que não conseguia sequer pagar funcionários e fornecedores. Com pouca infraestrutura, numa casinha acanhada, de duas portas, que era o armazém. Que recebia leite e vendia para as multinacionais, apenas. Não industrializava nada. O primeiro passo foi recuperar a saúde financeira da entidade, colocando as dívidas em dia.

A primeira ajuda veio do pai e de alguns amigos, que se uniram para sanar as dívidas principais. Depois, foi hora de expandir. Prédio da administração, posto de gasolina. Transformar o leite in natura em derivados – queijo, manteiga, que é de excelente qualidade, requeijão e tantos outros produtos que passaram a industrializar e que hoje são premiados no Brasil todo. Cresceram, abriram novos mercados, principalmente Brasília, mas também BH, além de outros estabelecimentos para onde vendiam através de comerciantes menores. Foi assim que incentivaram as pessoas a produzirem mais leite para a cooperativa.

Expandiram para outros municípios, já que tinham condição de receber grandes quantidades de leite. Até hoje, centenas de produtores vivem desta produção leiteira que entregam em Paracatu.

Só que a região tinha outra vocação, que a cooperativa não explorava naquela época, que é a agricultura. Acreditando na tendência e na vontade dos paracatuenses, a cooperativa fez valer o seu nome (de cooperativa agropecuária) e começou a investir na agricultura a partir de um marco zero.

Foi quando implantaram em Paracatu um projeto, fruto do convênio entre Brasil e Japão, chamado Prodecer. Arquimedes Borges foi ao Japão, a convite do governo do país, para conhecer o Ministério da Agricultura e as práticas agrícolas lá realizadas. Foi o primeiro grande passo para fortalecer a agricultura. Projetos estes bem sucedidos que serviram de exemplo para os que serviriam como exemplos para o Noroeste de Minas.

Construíram os silos de que precisavam. Compraram terras, através de um programa de incentivo do Governo Federal, chamado Prodecer na época do presidente da Campo, Paulo Romano. Depois, lotearam em pequenas fazendas, com cerca de 200 a 250 hectares. Com verbas subsidiadas, o programa foi muito importante para o avanço da agricultura no cerrado.

Pode-se dizer que foram pioneiros neste projeto que deu certo e que tem uma referência hoje especialmente na região do Entre Ribeiros, em Paracatu. Mas também no Mundo Novo, os japoneses e as cooperativas de fora desenvolveram um trabalho importante, similar ao que a cooperativa realizou e que se tornou referência para toda a região do Noroeste de Minas Gerais. Financiavam aos agricultores suas residências, insumos, maquinários, adubos, com juros subsidiados ou até juro zero.

Não é exagero, portanto, atribuir a este trabalho inicial realizado em Paracatu, através da cooperativa, a alavancagem do Noroeste Mineiro. E assim, se consolidou a  cooperativa, nos  laticínios e na agricultura. E é  orgulho de

Paracatu, dos associados e de todos os paracatuenses. É uma referência como a maior economia da região, que gera milhares de empregos.

Com tudo certo e ajustado, era hora de atender a uma reivindicação geral: construir um parque de exposições, uma tendência e uma característica da região, que se tornou também um centro para comercialização do rebanho. A administração da entidade comprou uma área de 27 hectares, às margens da BR 040, onde hoje funciona uma moderna fábrica de laticínios, um polo de armazenagem de grãos, fábrica de ração e o parque de exposição, que deixou em fase final de inauguração. Uma alegria e uma diversão para os expositores que ali levam seus produtos, para os pecuaristas e para a comunidade.

Luta, determinação, a ajuda de muitos companheiros e dos cooperados marcaram a trajetória de Arquimedes Borges na presidência da Coopervap, ao longo dos onze anos de gestão.

Defensor convicto do cooperativismo, modelo implantado primeiramente no sul do país, ele o considera a melhor forma de união, muito justa, onde não há sonegação. A razão é simples: seu entendimento é que esse modelo parte do trabalho honesto para promover o crescimento.

Para quem não sabe, sua incursão na política veio depois desta época. Até então, Arquimedes Borges sequer era filiado a um partido político. Seu entendimento é que no universo da cooperativa há tendências de várias siglas partidárias e não se pode confundir uma coisa com a outra. E por isso deu muito certo.

Como prefeito, mais uma vez, aplicou os conhecimentos adquiridos com a formação em Economia na gestão pública. Com a disposição que sempre teve para trabalhar e servir as pessoas, fez de Paracatu uma cidade diferente, principalmente na forma de administrá-la. Com a ajuda de sua equipe, criou uma estrutura de trabalho, montou um grupo que deu certo. Sem perseguição às pessoas, pensando no bem da comunidade, priorizou ações voltadas

especialmente para as pessoas mais humildes, que mais dependem do poder público e com as quais sempre se identificou. Aquelas a quem faltam escolas, que moram na poeira, que não tinham água. Implantou o ensino médio nas escolas rurais, colocou ônibus para levar as crianças pra estudar.

Sua gestão ficou marcada justamente por ter investido recursos na solução de problemas estruturais, nem sempre visíveis no curto prazo, mas que fazem diferença real na vida das pessoas. Foi dele, por exemplo, o trabalho pela integração dos bairros ao centro da cidade de Paracatu, assim como o asfaltamento de muitas ruas e a integração entre os dois lados da BR 040, que atravessa a cidade. E, justiça seja feita, a construção das pontes para viabilizar essa integração foi obra realizada pelo seu antecessor, Diogo Soares Rodrigues. Arquimedes Borges ligou o centro aos bairros com asfalto. Antes dele, a cidade tinha apenas 110.000 m2 de ruas pavimentadas.

Arquimedes Borges, em quatro anos, pavimentou 960.000 m2 de asfalto, quase dez vezes mais do que havia. Na educação, construiu boas escolas nos bairros acima da BR 040, evitando, assim, acidente com as crianças que antes tinham de atravessar a rodovia para estudar.

Quando prefeito, Arquimedes Borges trouxe a primeira faculdade pública para Paracatu, a Unimontes. Criou ainda o cursinho preparatório para o vestibular e concurso público de forma gratuita. Iniciativas neste sentido deram a ele o reconhecimento das pessoas e isso o levou à prefeitura duas vezes. Seu entendimento, no entanto, é que recebeu muito de Deus e, dentro das suas possibilidades, procurou ajudar aos que buscavam um governo justo, íntegro e transparente.

Realizado o trabalho na cooperativa e depois de ser prefeito duas vezes, Arquimedes Borges tem outro sonho e já está trabalhando para torná-lo também uma realidade. Ele quer ver o Noroeste forte.

Filho de uma cidade que foi exemplo para tantas coisas e para muitas cidades do Noroeste, sem dúvida alguma. Mas o Noroeste também se desenvolveu, economicamente é uma região forte, produz muito tanto na agricultura quanto na pecuária, e tem hoje a maior produção do estado, além de ser uma região forte na extração mineral. O trabalho de Arquimedes Borges e de outras pessoas contribuiu para que a região melhorasse. Mas falta muito e pode ser resolvido a partir da representação política da região. Por isso, seu sonho é ver o Noroeste forte também politicamente. Este é outro trabalho que ele pretende também deixar como legado. E entende que não pode ser uma responsabilidade apenas dele, mas de todos que aqui vivem, porque apesar desta produção e do desenvolvimento, essa rica região de Minas Gerais não é ainda reconhecida pelo trabalho de sua gente.

E entende que isso precisa mudar, que é preciso se unir em favor dos representantes que queiram trabalhar pelo Noroeste. Ou seja, o caminho para o crescimento e para o avanço passa, inicialmente, por eleger representantes locais para a Assembleia Legislativa e para a Câmara Federal, para que na hora de trazer os recursos das emendas e dos orçamentos, que venham para o Noroeste, de fato, valores vultantes, que possam ajudar no desenvolvimento e na melhora de vida da população.

Mas isso requer a união dos municípios em torno desta causa, já que a maioria das cidades, infelizmente, não têm a quantidade de eleitores suficientes, como é o caso, por exemplo do Norte de Minas, que conta com uma representatividade forte.

Um sonho e também uma luta, como a da Coopervap, que deu certo. Como o sonho de fazer uma administração voltada para as pessoas que mais precisam da mão amiga do estado. Agora, é um sonho para que o Noroeste passe a ter mais faculdades, hospitais regionais e atendimento à saúde muito melhor do que se tem atualmente, a construção da ferrovia com porto seco no para receber a produção do Noroeste. E tantas outras demandas de estradas, de

energia elétrica, de barragens, de títulos de propriedade rurais. Com anos cada vez mais secos, a população enfrenta o desafio da falta de água. O Noroeste precisa de condições de industrialização, de gerar mais riquezas e empregos, além de saneamento básico.

E chegar lá, para ele, é mais que sonho: é um propósito. Seu maior esforço hoje está na luta para que o Noroeste seja visto de maneira diferente, mais respeitado pelas autoridades, bem representado, porque o povo dá o que tem e faz a sua parte. Portanto, precisa receber os benefícios para ter uma vida cada vez melhor. Acredita que, em um futuro próximo, os jovens da região encontrarão na sua terra as oportunidades para também realizarem os seus sonhos.